Parecer jurídico do BRB recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes de tentativa de compra

Um parecer jurídico do Banco de Brasília (BRB) recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes da tentativa de compra da instituição. A in...

Parecer jurídico do BRB recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes de tentativa de compra
Parecer jurídico do BRB recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes de tentativa de compra (Foto: Reprodução)

Um parecer jurídico do Banco de Brasília (BRB) recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes da tentativa de compra da instituição. A informação foi divulgada pela "Folha de S. Paulo" e confirmada pelo blog. O parecer assinado pelo diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso, é de 24 de março de 2025 e diz em suas páginas finais: "Nesse passo, há que se ressaltar que a observância do índice de liquidez e do índice de Basileia é crucial nas contratações efetuadas pelas instituições financeiras, pois ambos são indicadores essenciais para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro. Desta forma, sugere-se sejam os índices apontados considerados quando da deliberação da proposta em comento pela alçada competente." Na conclusão do parecer, o diretor pondera que não foram constatadas ilegalidades do ponto de vista "jurídico-formal" da proposta. Contudo, ressalta, novamente, as orientações observadas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na mesma semana do parecer da área jurídica, em 28 de março, o conselho do BRB, na gestão de Paulo Henrique Costa, aprovaria a compra de 58% do capital do Master — desconsiderando o alerta. O valor foi estimado em cerca de R$ 2 bilhões e a operação era vista como um “alívio” para o Master, que tinha modelo de captação de alto risco e balanços considerados frágeis por órgãos de controle. Questionado, o BRB afirmou, em nota, que a recomendação da área jurídica da instituição estava relacionada "aos cuidados usuais" a serem observados durante processos de análise e de investigação de riscos potenciais. Acrescentou que tais procedimentos fazem parte das "boas práticas de governança aplicáveis a operações dessa natureza" (leia nota completa abaixo). Sede do Banco de Brasília (BRB) TV Globo Dos questionamentos aos inquéritos Na época da aprovação da compra do Master pelo BRB, o Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas do DF abriram procedimentos para investigar as condições da operação e possíveis irregularidades na aquisição, enquanto o Tribunal de Justiça do DF chegou a suspender temporariamente a assinatura do contrato. A proposta também enfrentava desconfiança técnica devido ao modelo de captação de alto risco do Master e ao volume de operações financeiras suspeitas que já vinham sendo monitoradas pelo Banco Central. Logo depois, vieram à tona indícios de fraudes bilionárias envolvendo carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB, o que levou o Banco Central a aprofundar a fiscalização e a reportar inconsistências à Polícia Federal. Em setembro de 2025, após meses de pressão política e análise regulatória, o Banco Central rejeitou oficialmente a compra — mesmo após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já ter aprovado a operação. Para investigadores do BC e da PF, a negociação funcionaria como forma de “juntar os balanços” dos dois bancos e acobertar as fraudes já identificadas nas carteiras de crédito que geraram um rombo estimado em mais de R$ 12 bilhões. O caso evoluiu para fases mais graves: em novembro de 2025, o Master foi alvo de operação da PF, que prendeu seu dono, Daniel Vorcaro, e afastou o presidente do BRB; e, posteriormente, as irregularidades contribuíram para a decretação de liquidação extrajudicial do Master. 🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional. Em 2026, um novo inquérito foi aberto para apurar suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, consolidando o episódio como um dos maiores escândalos financeiros recentes. Leia nota completa do BRB "O BRB informa que a operação de aquisição acionária não foi autorizada pelo Banco Central. O contrato assinado em 28 de março representou apenas a formalização do início das tratativas, que posteriormente resultaram na negativa para a efetiva realização da operação. A recomendação da área jurídica no que se refere à atenção aos índices de liquidez e aos limites de capital regulamentar, estava relacionada aos cuidados usuais a serem observados durante processos de análise e due diligence, conforme as boas práticas de governança aplicáveis a operações dessa natureza."

Fale Conosco